quarta-feira, 16 de julho de 2014

Quem foi Chefe Jayme Janeiro Rodrigues?

Biografia

Filho de João Baptista Rodrigues e D. Anna Corrêa Rodrigues,Jayme Janeiro Rodrigues nasceu na Chácara das Rosas, bairro de Santana, São Paulo, em 04 de Janeiro de 1906. Teve uma infância humilde e feliz com seus irmãos e amigos: brincavam de papagaio, peão, bolinha de gude, carrinho de rolemã e outros jogos da época.

Ingressou no movimento Escoteiro em 1918, com 12 anos. Começou a Trabalhar aos 13 anos na Ligth como aguadeiro, depois como auxiliar de apontador nas oficinas junto ao seu pai, que era o encarregado das oficinas.

Durante a sua época de praça pronto do Exército, o jovem Janeiro conheceu a jovem Adelaide Lopes, residente no seu bairro de origem e passou a namorá-la. Casaram-se em 27 de Outubro de 1927 e tiveram quatro filhos homens.

Faleceu em 1º de Novembro de 1987 para cumprir o chamamento de DEUS PAI.


VIDA ESCOTEIRA: Foi Escoteiro, Sênior, Pioneiro e Chefe após concluir os devidos cursos na então Associação Brasileira de Escoteiros - A.B.E. Em 1937 organizou, na modalidade básica, o Grupo Escoteiro Tenente Aviador Ricardo Kirk. Em 28 de Abril de 1939, o Sargento Jayme Janeiro Rodrigues, o Major Aviador Godofredo Vidal e o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco, criaram a modalidade do Ar: o primeiro núcleo de Escoteiros foi apresentado à Direção Nacional da União dos Escoteiros do Brasil, em sua sede localizada na então capital federal na Cidade do Rio de Janeiro.

Os primeiros Escoteiros do Ar foram os filhos de todos os militares sediados no 5º Regimento de Aviação do Exército Brasileiro. A Modalidade do Ar foi alastrando de tal forma que foi necessário organizar a Federação Brasileira dos Escoteiros do Ar (F.B.E.Ar). Na capital de São Paulo os escoteiros da Modalidade do Ar foram apoiados pela Sociedade Paulista, pela Força Pública do Estado de São Paulo, pela Antiga Guarda Civil do Estado de São Paulo, pela Força Aérea Brasileira - através do 4º Comando Aéreo Regional e pelo Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP).

Em 25 de Janeiro de 1945, foi fundada a Associação de Escoteiros do Ar Bartholomeu de Gusmão, sediada à Avenida General Ataliba Leonel,1.337, nos baixos da Capela de Imaculada Conceição, no bairro do Carandirú, São Paulo, Capital. Nesta época foram criadas diversas Associações de Escoteiros do Ar no Estado de São Paulo e no Brasil.

Durante o período de consolidação da Modalidade do Ar, o Chefe Janeiro esteve como Comissário Técnico Estadual da F.B.E.Ar, e sempre que dispunha de tempo dedicava-se a visitar as Associações de Escoteiros do Ar do Estado de São Paulo e participava ativamente das reuniões escoteiras.

O Primeiro Ajuri Nacional da Modalidade do Ar foi organizado, constituído e realizado pelo chefe Janeiro, demais chefes da Modalidade do Ar e Autoridades da Aeronáutica, em Julho de 1963 na Base Aérea de Santos, em Vicente de Carvalho no Guarujá. Contou com mais de 400 Escoteiros de idades diversas e aproximadamente 120 chefes.

Sempre dizia para todos os chefes que o Escotismo era único, sem pátria, com uma única bandeira: a Bandeira da Paz, da irmandade e da fraternidade mundial dos Escoteiros. Ele acreditava que para ser um homem de bem, generoso e leal, os jovens deveriam ser Escoteiros, pois no Escotismo as crianças e adolescentes, tinham a chance de ter a Educação e a Formação educacional, que muitas vezes não tinha dentro do seio famíliar. Fazia questão em dizer a todos os chefes: "lembro-vos sempre que o Escotismo do Ar é tão somente uma Modalidade, pois o escotismo é único e um só".


VIDA MILITAR: Ao completar 20 anos, em 1926, o jovem Janeiro alistou-se no Exército Brasileiro e foi recruta no 4º Regimento de Infantaria (Pé de Poeira), em Quitaúna, São Paulo. No mesmo ano, já formado em Rádio-Telegrafista, foi promovido a Cabo e fez parte da intervenção federal em Goiás, na campanha de 1927.

Em setembro de 1930 foi promovido a 2º Sargento, e como professor de Educação Física do Exército, transferido para servir no quartel de Bacaxeri em Curitiba, Paraná, no 5º Batalhão de Engenharia Logística, do 5º Regimento de Aviação do Exército. Lutou na Revolução de 1930 e por ser paulista, teve a opção de ficar detido no quartel, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. No final das hostilidades, todos os militares Paulistas foram liberados, voltando assim às suas funções normais na vida militar. No final de 1932, Janeiro foi designado para fazer parte ativa do Regimento de Aviação do Exército.

Em dezembro de 1933 foi promovido a 1º Sargento e designado a fazer a construção de linhas telegráficas em Mato Grosso ao lado do Coronel do Exército CÂNDIDO MARIANO RONDON, em pouco tempo tornaram-se grandes amigos de farda. Ao final dos serviços de comunicações de linhas telegráficas o 1º Sargento voltou para a sua unidade de origem. Lutou na Revolução de 1935 e na Revolução de 1937.

Em 20 de Janeiro de 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica e todos os Regimentos de Aviação do Exército bem como os batalhões de engenharia e comunicações do Exército, foram transferidos para a Aeronáutica. Na oportunidade, o então major aviador do Exército GODOFREDO VIDAL e o tenente coronel aviador VASCO ALVES SECCO, e outros militares também foram transferidos com o 5º Regimento para a Aeronáutica: a 5ª ARMA; mais adiante passamos a ter de fato a Força Aérea Brasileira.

Janeiro e o Sub Oficial Brasil, já na Força Aérea Brasileira, organizaram a banda e compuseram o Hino da Base Aérea de Cumbica. Transferido para servir no Campo de Marte, em 1942, o 1º Sargento Janeiro, foi elevado a promoção para Sub-Oficial. Em 1943 o Sub-Oficial Janeiro chegou a ser secretário do Ministro da Aeronáutica. Em 1944, participou da 2ª Guerra Mundial como Rádio-Telegrafista de Bordo dos então B.25 e B.26, cobrindo o litoral da costa do Brasil, com quatro elogios em boletim. Em algumas oportunidades voou com o então 1º Tenente Aviador DÉLIO JARDIM DE MATTOS. No final da Segunda Grande Guerra, o Sub-Oficial Janeiro voltou para servir no Campo de Marte, São Paulo. Em 1950 foi promovido a 2º Tenente Rádio-Telegrafista, organizou o (CAM) Correio Aéreo Militar da 4ª zona Aérea e organizou e chefiou o posto de Rádio do Q.G. da 4ª Zona Aérea, como auxiliar do serviço de Rotas Aéreas. Também foi encarregado de diversos inquéritos militares como escrivão.

O 2º Tenente Janeiro foi promovido à 1º Tenente Rádio Telegrafista da F.A.B. em 1952, e em Novembro do mesmo ano, passou para a reserva remunerada. Na reserva leu por 20 anos o boletim do Parque da Aeronáutica, e a pedido do Brigadeiro João Milanez Filho fez o primeiro livro histórico do Parque da Aeronáutica de São Paulo. Foi ele quem redigiu o livro histórico da 4º Zona Aérea; foi o autor do primeiro Concurso de Vitrine, em homenagem a Semana da Asa; fez mais de 110 conferências sobre ALBERTO SANTOS DUMONT, o Pai da Aviação Nacional e Mundial; e foi historiador e conferencista sobre a origem das Bandeiras.


MAÇON: Participou da Maçonaria por mais de 50 anos, chegou ao grau máximo de Mestre Maçon por duas vezes e foi o grande porta bandeira maçônico. Em 1952, fundou com outros cavalheiros a Loja Maçônica Flor de Lis, que prestou relevantes serviços a São Paulo e ao Brasil.


DESPORTISTA: Durante a sua juventude foi corredor (no que hoje chamamos de formula 3), sempre na companhia de seu amigo Chico Land. Participaram de diversas corridas, ambos eram excelentes mecânicos. Jayme Janeiro era um atleta eficiente, na vida esportiva do Exército foi campeão de corrida nos 5.000 e 10.000 metros; na tradicional corrida do trecho militar de Bacaxerí; no lançamento de granadas e campeão de tiro de fuzil sem apoio. Com sua equipe de militares foi campeão nos torneios de voleyboll e basquete. Durante o período de 1942 a 1950 foi árbitro de futebol profissional fazendo parte integrante do quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol.


MÚSICO: Como compositor teve mais de 150 músicas gravadas nos mais diversos estilos: sertanejas, caipiras, boleros e carnavalescas. Seus maiores sucessos são “Ciúmes” e “A Sandália Furou”. Foi presidente da Comissão Fiscal da Sociedade Administradora de Direitos de Execução Musical do Brasil (SADEMBRA). Fundou com a colaboração de Tunico e Tinoco, Nhô Zé e Nhô Fio, Cascatinha e Geraldo Meireles a União dos Artistas Sertanejos na capital de São Paulo.


PROFISSIONAL: Após a aposentadoria da Força Aérea projetou e executou com o seu amigo Doutor Roberto Andraus, a Cidade OCIAN o edifício Andraus e muitos outros prédios na capital de São Paulo, em Santos e São Vicente, e trabalhou como chefe de vendas da OCIAN. Foi vendedor da Concremix; Relações Públicas da Rendimix; representante comercial na fábrica de guarda chuvas e toalhas de Santa Catarina em São Paulo.


CONDECORADO:
  • Ordem Supremi Militaria Templi Herro Sollymitani
  • Campanha do Atlântico Sul
  • Medalha dos Vintes Anos de Criação do Ministério da Aeronáutica
  • Diploma da Ordem dos Músicos do Brasil
  • Medalha da Força Aérea Brasileira
  • Sesquicentenário da Independência do Brasil
  • Medalha Tiradentes da União dos Escoteiros do Brasil
  • Medalha e Diploma Tapir de Prata da União dos Escoteiros do Brasil
  • Medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul do Governo federal
  • Medalha e Diploma de Pioneiro do Ar
  • Condecoração do Vaticano: Medalha da Ordem de São Pedro (pelo Papa Pio XI).
  • Comendas: Marechal Cândido Mariano Rondon, Barão do Rio Branco, José Bonifácio de Andrada e Silva, Padre José de Anchieta, Marechal Henrique Juan Lindo da República de Honduras, Marechal Francisco Marcelino de Aguiar, Marechal Caetano de Faria, Príncipe Albert de Mônaco
  • Medalha Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães, Marechal Hermes da Fonseca
  • Medalha Anchieta e Diploma da Cidade de São Paulo (Cidadão Paulistano)
  • Formações: Jornalismo (1961); Rádio-Telegrafista; Meteorologista; Navegador Aéreo; Educação Física; Professor de Letras; Historiador da Academia Nacional de Ciências e Letras de São Paulo



Autor: William Saghi Chahud (os dados aqui declinados foram todos extraídos de Jornais, Boletins Informativos, e fatos vivenciados entre o Chefe Janeiro e o Chefe William). São Paulo/ SP: Novembro de 2006. Editado por Rebeca Rodrigues. Florianópolis/ SC: novembro de 2010

2 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Bom dia, tive a oportunidade de conhecer o Chefe Janeiro lá em meados dos anos 80 (quando então ele era Chefe do Grupo Escoteiro Vasco Cinquini e eu era escoteiro do Ar no Grupo Anchieta) naquela época ganhei um concurso sobre o CAN (Correio Aéreo nacional) organizado pelo próprio Chefe Janeiro e fui conhecer Brasília juntamente com outros 3 escoteiros do ar e um Chefe responsável por nós...me lembro bem que no dia em que chegamos a Base Aérea de Cumbica para embarcamos a Guarda estava formada e foi apresentada pra ele, na época não entendia muito sobre horarias e cerimonial militar, no entanto hoje, mais de 30 anos depois, como militar da ativa sempre acreditei se tratar de oficial superior ou porque não dizer Brigadeiro do Ar (já que esse ato é prerrogativa de autoridades civis ou militares), mas agora lendo seu currículo, entendi o porquê daquela honraria ter sido prestada para ele (ainda que detentor do posto de 1º Ten), e entendi mais ainda que por todo seu histórico militar foi uma honraria mais que merecida para este homem de bem que deixou um exemplo de legado e de história que até aqui eu não conhecia...nem sobre o militar nem sobre o escoteiro Jayme Janeiro Rodrigues...quanto ao escotismo posso falar que sem a menor sombra de dúvida para mim foi tudo que o chefe Janeiro pregava. Ajudou na formação do meu caráter, da minha personalidade, da minha cidadania e porque não dizer até mesmo na escolha da minha profissão...enfim, ainda sobre o escotismo lembro que uma vez li em um adesivo da UEB que dizia a seguinte frase: MAIS ESCOTEIROS MELHORES CIDADÃOS...com certeza esta frase resumi toda a ideologia pregada não somente pelo nosso eterno Chefe Janeiro mas por todos os homens e mulheres que sonham com um Brasil mais justo e solidário, que sonham com um Brasil de paz, de ordem e de grandeza....por fim, apesar de muito tempo afastado do movimento escoteiro jamais ousei esquecer daquelas reuniões que aconteciam lá no bairro do Jaçanã na igreja Santa Terezinha nos domingos de manhã no então extinto mas não menos querido grupo 176º Anchieta do saudoso Chefe Toninho e que tanto contribuiu para minha formação e a formação de outros bons cidadãos...me despeço deixando a todos um abraço e um eterno, forte e celebre brado de SEMPRE ALERTA!!!

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